Postagens

Croniquetas #2 - Síndrome de Underground

Imagem
Croniquetas #2 Síndrome de Underground   Sou um otaku no sentido japonês do termo. Isso significa que sou uma pessoa aficionada em certos assuntos e trato-os de forma inusual. Também significa que sou uma típica pessoa ultra singularizada e que causa certa estranheza. Não me envergonho disso, na verdade: orgulho-me disso, o fato é que ainda não estou tão habituado ao deslocamento. Posso optar por uma vida mais normalizada com assuntos que são de meu puro desinteresse e perder gradualmente minha própria personalidade para viver socialmente ou habituar-me com uma certa dose de solidão e solitude que se confundem e entrechocam. Na vida social, existem uma série de assuntos comuns que dão a chave para a preservação da sociabilidade. O “problema” é que muitas pessoas fogem desse delimitado número de assuntos comuns. Há um fator duplo: sou solitário quando eu quero e quando eu não quero. Ainda não encontrei a solução para a preservação da singularidade e da vida social. Em certo se...

Leia “pouco” e com Mais Qualidade

Leia “pouco” e com Mais Qualidade 1. A argumentação contemporânea centra-se num dado: que você não possui tempo o suficiente para ler e, então, deve aumentar a velocidade de sua leitura. Tal argumentação está focada no drama do aceleracionismo: os problemas surgem e, quando enfim são identificados, já é tarde demais para resolvê-los. Mas há um fato não contado na argumentação: é possível viver perfeitamente bem com um dado grau de alienação com os fatos que nos circundam. 2. Pense bem, querido(a) leitor(a). Quantas vezes o(a) sr(a). não leu uma notícia sobre uma fatuidade rotineira e viu tal notícia ser futilmente atualizada com alguns dadinhos novos pelo nosso querido jornalismo brasileiro? Não preciso ir longe, só ser mais atencioso com aquilo que lê por pura enganação. Preste atenção, por exemplo, no desenrolar do caso do Lula e da Operação Lava Jato. Dê uma olhada em qualquer notícia sobre celebridade. Não há, quase sempre, um dado relevante a ser acrescentado. Não é necessár...

Croniquetas #1 - Cultura e Antipolítica

Imagem
Croniquetas #1 Cultura e Antipolítica Os senhores já perceberem que ao consumir muita cultura o interesse por política arrefece? Mário Ferreira dos Santos dizia que toda grande época cultural era período de decadência política. Atualmente venho percebido que o meu desinteresse em política aumenta proporcionalmente a cultura que consumo. Lembro-me que, em carga comparativa, consumia assiduamente muito conteúdo político há dois ou três anos atrás. Atualmente tenho lido GK Chesterton, Dostoiévski, (Coletânea de Poesia Grega e Romana que não lembro o nome), Paulo Leminski (li Castro Alves, Machado de Assis, Cruz e Sousa, Vinicius de Morais e Olavo Bilac) e leio dois mangás (um pelo celular e o outro em mídia física). Há, ao todo, um movimento em busca de boa cultura e um desinteresse proporcional em política. E a cada dia mais eu me desinteresso em utilizar meu vigor intelectual em jornais ou artigos. Não leio quase nenhuma novidade e sofro duma alienação terrível (mas consent...

Texto Experimental 2/10 - Havia um Gato Morto no Meio do Caminho - Alternâncias de Realidade

Imagem
Texto Experimental 2/10 Havia um Gato Morto no Meio do Caminho - Alternâncias de Realidade Eu passeava tranquilamente com meu cachorro pela praça, parei e vi um gato morto no meio do caminho. Assustei-me e olhei-o fixamente. O tempo transcorreu, cinco, dez ou quinze minutos. Fui embora e mantive o gato morto na minha mente. O gato morto virou minha flor da obsessão. Eu era um gato que andava pelo meio da floresta. Vi um humano morto deitado no chão. Parei, olhei o humano fixamente e fiquei a lamber meu pelo tediosamente. Alonguei-me, enrolei-me e botei-me a dormir perto do humano morto que estava num dormir perene. Havia um gato morto no meio do caminho. Eu era um homem morto no meio do caminho. Eu andava com meu cachorro morto no meio do caminho. Eu era uma rua morta no meio do caminho. Havia uma rua meio morta no meio do caminho morto. Eu era rua morta no meio do caminho que partia pro abismo. Eu era a morte que morre no caminho morto. Nos dias posteriores, o gato morto ain...

Sobre Lula, sobre o PT, sobre a Direita, a Esquerda e o Brasil

Imagem
Sobre Lula, sobre o PT, sobre a Direita, a Esquerda e o Brasil  Escrevo esse artigo breve rapidamente para demonstrar que o Brasil seguirá, por bem (pela verdade) ou por mal (pela força), o caminho do meio. Nessa análise, o caminho do meio pode ser conseguido pela harmonia de ideais opostos colocados harmoniosamente ou pela imposição de um campo ideacional sobre o outro. Enfim, como diria meu bom amigo João: "é a dialética, kids". 1. É característico do desenvolvimento a substituição da força (imposição coletiva) pelo exercício da razão (objetividade e unitarismo), por conseguinte, padrões objetivos e universais. Isto porquê, no desenvolver da civilização, a racionalidade implica a compreensão de fatores múltiplos que levam a uma universalidade sadia e ecumênica: a própria ideia/noção de conflito levará a discussão em direção a uma centralidade em que todos os lados saiam devidamente satisfeitos (síntese). A. A objetividade (ou universalidade) nada mais é que um fusioni...

Texto Experimental 1/10 - Garota X - Realidade e Ficção

Imagem
Texto Experimental 1/10 Garota X - Realidade e Ficção Olho pro Rio Tietê, estou sentado e com uma corda no pescoço. Um piano solenemente toca em minha mente, é "Clair de Lune". Meus olhos lacrimosos olham para um abismo imaginário, um abismo que reside em meu coração. Um abismo que macula e destrói. Um abismo que pesa na minha alma e desestrutura todo meu ser. Penso em pular, pôr meu ser para se acabar. Percebo que aquele abismo, o abismo imaginativamente vejo, esteve a meu lado há muito tempo. É como se fosse um fiel amigo que partilhou de meus momentos mais íntimos, um familiar que comigo morou e cresceu. O abismo é a escuridão que bateu consubstancialmente ao meu coração em todos esses anos agônicos. Minha fiel penumbra! Enganei-me, tu não me acompanhas, querido abismo, és inteiramente parte de mim! Nego-te, mas é todo meu! E quando meu coração parar com esse maldito bater contínuo, serei igualmente todo seu, querido abismo. De repente, sinto alguém me abraçar forte ...