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A prisão

 Apercebo-me, enfim, de minha prisão: ela começou cômoda, abriu-se e tornou-se mais cômoda. Em meu caminho de errático eremita: vi que todo fim era um começo. No fim, encontramos um começo e a escravidão torna-se mais branda até que a suavidade perca-se numa constante norma de sufocamento. Infelizmente, só posso ver paredes quanto estou próximo de me afogar. E quando me afogo, vem-me a necessidade de mudar. Quando mudo, a minha nova prisão me faz relaxar. A pergunta que não tem fim, mas tem metáfora é: qual é a melhor prisão? Essa pergunta descortina-se sempre numa série de mudanças as quais me abro, conquanto que eu ainda esteja peremptoriamente escravizado. De ideologia em ideologia, de música em música, de religião em religião: mudo-me de cárcere em cárcere, pois a próxima cela sempre tem um alvorecer do Sol quadrático ainda mais belo que a cela em que eu era anteriormente escravizado. Nessa eterna desgraça move-se a minha inconstante personalidade outonal. Vem-me sempre o parad...

Relatos dum Channer!

Relatos dum Channer! Percebi que sou um doente, /b/! Após passar anos em fóruns, anônimos e não-anônimos, descobri-me doente. Não é normal o conteúdo racista e teorias radicais que ando tendo contato. Eu tinha tudo para ser um jovem normal, mas não o sou. Ultimamente tenho adentrado no tradicionalismo/conservadorismo. Estou lendo o quinto livro do Olabo nesse mesmo ano. Estudei três livros do Chesterton. Sou frequentante do Contra os Acadêmicos e não sei até que ponto algo é normal ou anormal lá. Sei que existem muitos comentários contraditórios a respeito da página e do grupo secreto do qual participo. Disseram-me que o grupo é uma seita de lunáticos que está atrasado com as ideias mais atuais e que estou me envolvendo com pessoas ruins. Não consigo sentir isso no grupo. Dalguma maneira, sinto-me bem lá. Falar-se-ia que lá é o recinto da intelectualidade que eu sempre almejei. Todavia o grupo foi criado por alunos do Olabo de Caralho. Tudo isso começou na infância. Eu era um rap...

Sem Sentido

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Sonho quente que vem me atormentar, por que você é sempre tão assim? Ó aranha robusta, aqueça-me a volúpia. Laranja, fanta laranja de domingo. Voando pelo alto céu, caindo reversalmente num abismo em direção ao Sol e a total aniquilação. Menina, amor meu. Menina, sonho meu. Menina, sua corporeidade antropomórfica é tão atrativa. Seu delicioso aspecto cervulíneo. Sua comissão de frente é tão saliente. O que faria, se não desejá-la? Desejo-a intensamente. Desejá-la-ia ainda mais se tu me deres a chance. Ah, os sonhos da juventude. Pipocando em minha cabeça. Supõe uma condição irrealista. Ó minha maldição idealista. Tu me ferras! Ferraste-me pois nunca poderei alcançá-la. Por que tenho tantos sonhos vãos? Doce de leite, querido doce de leite. Como com um bocado de goiabada. Que delícia, delícia fundamental. Hey, hey, hey! Delicioso doce de leite, minha vida amarga tu vais curar. Olá, olá, senhor Sol. Como o senhor está? Está bem quente aí? Ah, desculpe-me, o senhor é o próprio calor...